Quanto
Custa Meu Design?
A profissão Designer
passou por enormes mudanças desde
a informatização dos escritórios de
Design, a ponto de podermos dizer
que é hoje totalmente diferente do
que era há 15 anos. Hoje quem quer
ter um escritório precisa saber administrar
e planejar, precisa conhecer marketing
e finanças. Enquanto vemos administradores
sendo contratados pelos escritórios
maiores, vemos crescer a busca por
especialização dos designers em mestrados
de administração e MBAs de marketing
e gestão.
No início dos anos 90 circulavam diferentes
tabelas de preços para serviços de
design, algumas inclusive referenciadas
em dólares, havia muito menos escritórios
que hoje, que em geral tinham estruturas
mais complexas e mais tempo para desenvolver
seus projetos. Os designers queriam
mostrar sua cara, queriam que todos
soubessem o que é design para criar
uma conscientização da importância
da profissão e expandir mercados.
Com os PCs surgiram curiosos que usavam
softwares gráficos e vendiam projetos
a preço de banana, uma ameaça aos
designers free-lancers que eram similares
para aquele cliente que nunca tinha
usado serviços de design. E os preços
iam caindo à medida que mudavam os
processos, o computador permitia realizar
coisas mais rápido, era possível fazer
mais projetos no mesmo tempo, era
possível cobrar menos.
Enquanto isto, softwares gráficos
chegaram ao computador do cliente
e este passou a conhecer um pouco
o processo produtivo e a ter uma percepção
diferente do tempo, afinal por que
o designer precisaria de uma semana
para aquilo, se era tão rapidinho
fazer? “ É só um folhetinho rápido,
preciso para ontem”…
Neste processo deu-se uma mudança
não somente na forma de projetar,
na estrutura física dos escritórios
e no relacionamento com os clientes
e fornecedores, mas também no valor
percebido do Design.
O conceito de valor percebido vem
do marketing, basicamente significa
saber quanto os consumidores de um
determinado produto estariam dispostos
a pagar por ele antes mesmo de saberem
seu preço real. Se o valor percebido
é superior ao preço do produto, o
consumidor tem a sensação de ter feito
um bom negócio, por outro lado, se
é inferior ao preço, há a percepção
de que o produto é caro.
O valor percebido é subjetivo, está
relacionado não somente à percepção
da qualidade do Design, mas também
a diversos fatores como a demanda,
a urgência, a aplicabilidade, o gosto
pessoal, a comparação entre concorrentes,
o humor do cliente, etc.
Tornou-se difícil saber qual é o valor
percebido do design, o design popularizou-se
e há diferentes percepções. As tabelas
de honorários perderam sua utilidade,
pois há clientes de diversos portes
e projetos em diferentes níveis de
complexidade.
Como calcular o preço de um projeto
tornou-se um problema recorrente.
Já que a tabela não é mais aplicável,
cresceu o peso das questões relacionadas
ao planejamento financeiro e à administração.
Não basta ter o feeling quanto ao
preço de criação para determinada
peça, primeiro é necessário saber
calcular quanto custa fazer o design,
isto é, é preciso considerar o rateio
de custos fixos e específicos, impostos,
tempo ocioso, depreciação de equipamentos,
verba para investimentos, pagamento
de financiamentos e mesmo a forma
de pagamento, para então aplicar a
margem de lucro desejada, a margem
de negociação, encargos financeiros,
etc.
Para saber o custo de um projeto,
uma boa solução para pequenos escritórios
e free-lancers é o cálculo baseado
no custo-hora, onde determina-se o
custo de uma hora de trabalho (já
levando em conta todos os custos fixos),
e ao orçar um projeto estimamos o
tempo que será gasto, multiplicamos
pelo custo hora, somamos os gastos
específicos com o projeto (material,
fotografias, etc) e aplicamos os impostos.
O resultado é o preço mínimo a cobrar,
aí podemos incluir um percentual para
o lucro desejado, para a margem de
negociação ou para parcelamento e
percentuais específicos como por exemplo
para cobrir o tempo ocioso, reserva
de tempo (caso leve mais tempo que
o previsto), pela expertise (pois
aumenta o valor agregado) e outros
que se apliquem.
Uma vez que disciplinas de administração
e finanças não são parte da formação
tradicional dos designers, às vezes
é difícil chegar ao custo hora, conseguir
prever o tempo de execução das tarefas
e parametrizar tanto, mas é necessário
fazê-lo para permanecer no mercado.
Para o cliente, qualidade e criatividade
são itens básicos quando contrata
um escritório de design, o preço na
maior parte das vezes é o fator de
decisão quando ainda não há um relacionamento
estabelecido.
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